sexta-feira, 29 de maio de 2009

Bebês prematuros




A 20 anos, era muito difícil tratar um bebê abaixo de 1,5kg.

Hoje, a medicina tem resultados de sucesso com crianças de menos de 1 kg, consideradas prematuras extremas.

O diagnóstico de prematuridade é muito complexo e pode ser constatado em vários graus, conforme o estado de saúde geral do bebê.

Uma criança nascida com menos de 37 semanas de gestação é considerada, teoricamente, prematura, mas, muitas vezes, estes bebês estão mais fortes e saudáveis que outros que nasceram na época considerada normal e podem ir para casa, sem nenhum problema.

O peso do bebê é mais importante do que o período gestacional em que a mulher está no diagnóstico de prematuridade, se não houver complicações na formação dos órgãos, mas cada caso precisa ser estudado particularmente.

A atenção redobrada dos pais é muito importante e deve começar quando o bebê ainda está na barriga da mãe. O tratamento pré-natal bem feito pode diagnosticar ou controlar problemas que possam antecipar o parto, como hipertensão ou diabetes.

Estudos recentes apontam para a saúde bucal da gestante, que também seria um dos motivos do nascimento prematuro.

Como fazem os cangurus




Os bebês, com peso mínimo de 1.250 gramas, constituem o grupo de inclusão. A sistemática em geral é a mesma: eles ficam no colo da mãe ou do “pai-canguru” por período máximo de tempo – desde 20 minutos a quatro horas, ou até mais.

Pai e mãe se revezam na tarefa de fazer as vezes de uma incubadora, para que a criança tenha condições de crescer saudavelmente.

O recém-nascido, vestindo apenas uma fralda, é colocado em contato com o corpo da mãe, entre os seios, e, no caso do pai, no peito. O objetivo é criar um maior vínculo familiar, fornecendo calor e descartando o risco de uma hipotermia para o bebê.

Entre outros fatores positivos do método apontados pelo neonatologista Sérgio Tadeu Marba, responsável pelo Berçário do Caism, está a recuperação dos batimentos cardíacos, da respiração e, em etapa posterior, a estimulação ao aleitamento.

Os custos hospitalares também caem, pois as incubadoras passar a ser usadas apenas para casos de alto risco, afirma Marba.

Segundo ele, no Hospital da Mulher, o Caism, 3% dos bebês nascem com menos de 1.500 gramas e por volta de dez crianças por mês seriam candidatas à participação no Projeto.

No mundo, nascem anualmente 20 milhões de bebês prematuros e com baixo peso. Destes, 1/3 morre antes de completar o primeiro ano de vida.

Algumas dicas ajudam as mamães com os cuidados ao bebê que é liberado do hospital:

  • coloque-o para dormir em posição de decúbito lateral, ou seja, de lado, para evitar que engasgue com vômito;
  • coloque a criança no berço em uma elevação de, aproximadamente, 30º para que não aconteça refluxo;
  • nunca deite a criança em decúbito ventral, ou seja, de bruços. Esta posição está relacionada com diagnósticos de morte súbita em bebês.
Sequelas em bebês prematuros

Avaliação do desenvolvimento motor: estudos sobre a prematuridade e a coordenação motora na criança, pela UFMG, em 2004.

Financiado pela Fapemig e gerenciado pela Fundep, o trabalho mostrou que 11% das crianças nascidas prematuras e com peso abaixo de 1,5 kg tiveram atraso evidente no desenvolvimento, diagnosticado no primeiro ano de vida.

Entre as crianças, aparentemente normais, acompanhadas até os 7 anos de idade, 57% tiveram problemas de coordenação motora. Outro aspecto revelado é que muitas dessas crianças apresentavam déficit de atenção e sinais de hiperatividade.

“Observamos também que, quanto mais problemas ocorrem logo após o nascimento e quanto mais tempo o bebê respira com a ajuda de aparelhos, mais vulnerável ele fica para problemas motores”, analisa a coordenadora do projeto, Lívia de Castro Magalhães.

A professora da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG conta que, para chegar a esses resultados, o projeto atua em duas linhas de ação: trabalho assistencial de acompanhamento dos bebês prematuros nascidos no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, e pesquisa sobre o impacto da prematuridade no desenvolvimento infantil.

O trabalho é desenvolvido no Ambulatório da Criança de Risco (Acriar/UFMG), que conta com uma equipe interdisciplinar – formada por terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pediatras, neurologistas e psicólogos – que acompanha bebês com menos de 1,5 kg e 34 semanas.

Esse acompanhamento continua até quando a criança completa os 7 anos de idade. “Nessa fase, fazemos uma avaliação mais detalhada da coordenação motora, por meio de testes com a criança e questionários com pais e professores”, detalha Lívia. Durante essa atividade, percebeu-se que eram necessários instrumentos de avaliação mais específicos para a realidade da criança brasileira.

“Todos os profissionais utilizam métodos internacionais, que são voltados para meninas e meninos de países ricos e desenvolvidos. Por isso, começamos a desenvolver em 2000, paralelo ao acompanhamento das crianças, um teste brasileiro para detectar os problemas de coordenação motora”, explica a coordenadora do projeto.

Assim, criou-se a Avaliação da Coordenação e da Destreza Motora (Acoordem).

O objetivo do teste é oferecer aos terapeutas meios simples e precisos para identificar crianças que apresentam atraso motor ou transtorno do desenvolvimento da coordenação.

Os itens do teste requerem movimentos das mãos, do corpo e das pernas e foram criados levando em consideração as brincadeiras infantis da cultura brasileira, como amarelinha e jogos com bolas.

Problemas de coordenação motora, como os observados nas crianças prematuras, afetam cerca de 6% de todas as crianças em idade escolar, sendo importante identificá-los.

“Dessa forma, será possível um tratamento mais eficiente, evitando que a criança sinta-se excluída e fique com baixa-estima porque não consegue correr, brincar e escrever igual a outras da sua idade”, acredita a professora Lívia.

Movimentos




Os itens do teste foram pilotados no projeto de “Avaliação do desenvolvimento motor”, sendo possível escolher aqueles que funcionam melhor para identificar atraso motor em crianças de 4 a 8 anos de idade. Nessa primeira fase de exame da validade dos itens, a Acoordem foi usada com meninos e meninas de 4, 6 e 8 anos, que tiveram seus movimentos avaliados por terapeutas.

Além disso, pais e professores responderam a questionários sobre o desempenho da criança em tarefas motoras simples, observadas em casa e na escola.

A próxima etapa é a aplicação do teste em um número maior de crianças para saber qual é o desempenho típico de crianças brasileiras nas atividades motoras requeridas no teste.

Com base no perfil da criança típica, pode-se identificar aquelas que apresentam atraso no desenvolvimento.

Na linha de pesquisa sobre prematuridade, outro trabalho a ser realizado é criar estratégias para diminuir a evasão de crianças acompanhadas.

“O projeto atualmente conta com mais de 800 crianças cadastradas, mas cerca de 27% das meninas e dos meninos não continuam até os 7 anos de idade por causa da situação financeira de sua família, da distância a ser percorrida – visto que atendemos muitas crianças do interior do estado – e da inexistência de uma política pública de acompanhamento de prematuros, que enfatize para os pais a importância de se dar mais atenção ao desenvolvimento de crianças que nascem prematuras”, afirma a coordenadora do projeto. (Jornal da Fundep, n. 31)

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